Por Reinaldo José Lopes - Editor de Ciência da Folha de São Paulo
Folha.com
O reinado absoluto do DNA sobre a operação das células anda abalado. Uma nova conspiração contra o monarca vem de um conhecido rebelde: seu "irmão", o RNA.
Acontece que a molécula-irmã do DNA, normalmente responsável por levar as instruções codificadas nos genes para serem colocadas em prática pelo organismo, pode estar alterando essas "leis" de maneira ainda misteriosa.
Os dados a respeito ainda são preliminares, mas sugerem que não se trata de um fenômeno raro.
Segundo Vivian Cheung e seus colegas da Universidade da Pensilvânia (EUA), há sinais da rebeldia do RNA em 5.000 genes.
Isso corresponde a algo entre um quarto e um quinto do total dos genes humanos, dependendo de como se faz a conta.
As mudanças, ao menos em alguns casos, têm impacto significativo nas proteínas, as verdadeiras carregadoras de piano do organismo, que dependem das instruções trazidas pelo RNA para serem "montadas" pela célula.
Se a descoberta estiver correta, além de alterar o que se sabe sobre mecanismos essenciais do funcionamento da vida, exigirá bem mais sofisticação por parte de quem tenta achar a origem genética de muitas doenças.
Isso porque não bastará olhar o DNA dos pacientes: será preciso conferir se o código contido nos genes sofre alterações na fase posterior.
Cultivados
Cheung e seus colegas flagraram as alterações em três tipos de tecido humano: linfócitos B (do sistema de defesa), células da pele e do cérebro. As amostras vieram de um grupo de 27 doadores.
Isso, aliás, permitiu que os pesquisadores vissem que as mudanças tendiam a acontecer em mais de uma pessoa.
Basicamente, o que ocorria é que a sequência de "letras" químicas do DNA sofria trocas de "letra" na versão RNA.
Mais importante ainda, isso afetava quase sempre o pedaço funcional do gene, levando a mudanças nas proteínas correspondentes.
Outro mistério: às vezes, a alteração acontece só em parte do RNA da pessoa, enquanto o resto pode ficar em situação "normal".
A pesquisa será publicada numa edição futura da revista especializada americana "Science".
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/918459-pesquisa-sugere-variacao-no-genoma-estudo-de-doencas-se-complica.shtml
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Comentário
Antes de comentar o texto em si, eu quero destacar a concidência de haver uma notícia sobre Ácidos Nucléicos e Poteínas um dia após a nossa prova trimestral de Biologia, onde caía exatamente esse conteúdo. Foi interessante, porque alguns termos empregados no texto acima eu só pude comprender por ter estudado nesse trimestre. Além disso, tenho certeza que pouco da notícia eu teria entendido antes. Fim do argumento "eu nunca vou precisar saber disso na minha vida", não?
Agora sobre o conteúdo da notícia: ela destaca a complexidade dos seres vivos. Sendo os acídos nucléicos a base para tudo que é o corpo, imagine quão complexo é o resto do corpo, tendo em vista que na menor partezinha dele já ocorrem tantos fenômenos onde cada pequena mudança já faz uma enorme diferença. É tudo muito instável. O equilíbrio pode ser rompido a qualquer momento. A genética, pra mim, é a parte mais brilhante da biologia, porque mesmo sendo tudo tão minúsculo, toda a vida depende disso. Cada "mini" mudançazinha pode interferir em tudo que ocorre no corpo. E quanto mais se estuda o genoma humano, mas incrível ele se torna.
