segunda-feira, 1 de agosto de 2011

GOLFINHOS PODEM INSPIRAR NOVOS TRATAMENTOS PARA HUMANOS


Investigador destaca capacidade de recuperação destes animais
Publicado em 31/07/2011
Pelo site Biologias
Notícia original do site Ciência Hoje em publicação de 26/07 (Disponível em http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=50198&op=all)

  A capacidade de recuperação de ferimentos apresentada pelos golfinhos intrigou Michael Zasloff, investigador do Centro Médico da Universidade de Georgetown, nos EUA, que entrevistou tratadores e biólogos marinhos em todo o mundo e reviu a literatura disponível na área sobre esta aptidão a fim de inspirar novos estudos sobre o assunto.

  “A capacidade do golfinho curar-se rapidamente de uma mordida de tubarão com aparente indiferença à dor, resistência à infecção, proteção hormonal e uma quase restauração do corpo, podem trazer luz ao tratamento de ferimentos humanos”, destacou o cientista.

  No entanto, sublinhou que há uma grande lacuna de informação sobre este processo, pois não se sabe ainda como é que o golfinho não sangra até à morte depois de ser atacado por um tubarão, por exemplo, ou como é que parece não ter qualquer tipo de dor significativa.

  Também não é completamente conhecido o que previne a infecção em feridas profundas, que se restauram de tal forma que o contorno do corpo do animal fica quase sem marcas. “Feridas comparáveis em humanos seriam fatais”, frisou Zasloff, que procura explicar este processo com alguns aspectos conhecidos da biologia do golfinho.

  De acordo com o investigador, os mesmos mecanismos de mergulho que afastam o sangue da periferia do corpo durante um mergulho longo, podem ser acionados quando há um ferimento, significando que há menos sangue na superfície do corpo e por isso menos perda de sangue.

  Relativamente à dor, Zasloff sugere que se trata de uma adaptação neurológica e psicológica favorável à sobrevivência, mas cujo mecanismo se mantém desconhecido. No que diz respeito à infecção, o cientista acredita que os golfinhos têm o seu próprio composto anti-microbiano que é libertado quando ocorre um ferimento.

  “Estou certo de que na capacidade de o golfinho se curar a si próprio há agentes anti-microbianos e potentes componentes analgésicos”, afirmou Zasloff. Acrescentou ainda que espera que este seu trabalho “estimule uma investigação que possa trazer benefícios para os humanos.”


-----------------------------------------------

Comentário:
  Essa capacidade dos golfinhos de se curar e resistir à feridas é muito interessante pois serve como exemplo para, quem sabe, curas de feridas humanas como quer descobrir o pesquisador citado na notícia acima. Há mais uma coisa que deve ser comentada a partir deste texto: destacar a incrível diversidade genética todas as coisas vivas no planeta. Um golfinho, por exemplo, às vezes assemelha-se mais a um peixe do que a um mamífero terrestre, mesmo sendo “parente” deste. Características em comum fazem esses dois animais pertencerem a um mesmo grupo classificatório, mas outras informações contidas em suas células tornam-os muito diferentes. É incrível, pois um golfinho e um leão, por exemplo, têm certas coisas iguais, mas mesmo assim, ninguém nunca diria que são iguais (da mesma espécie). E toda essa informação que está apenas em alguns cromossomos dentro de cada célula. Por outro lado, um homem e um chimpanzé, que mesmo sendo parecidos qualquer um consegue facilmente dizer quem é quem, são mais parecidos genéticamente do que um rato e um camundongo, que várias pessoas confundem.