terça-feira, 1 de março de 2011

CUSTO PARA MAPEAR ESPÉCIES DESCONHECIDAS É DE R$ 430 bilhões

Publicado em 01/03/2011 às 09:33
Por REINALDO JOSÉ LOPES - Editor de Ciência da Folha de São Paulo
Folha.com
 

  Descobrir e descrever formalmente todas as espécies de animais ainda desconhecidas custaria um pouco mais do que o PIB (Produto Interno Bruto) de Portugal: cerca de R$ 430 bilhões.
  A conta, feita por uma dupla de biólogos da USP, está repleta de incertezas (a começar, claro, pelo fato de que ninguém sabe, afinal, quantas espécies ignotas ainda existem por aí). Mas é um dos primeiros cálculos detalhados a abordar o custo do desconhecimento humano sobre a biodiversidade.
  "Claro que é uma estimativa. Queremos estimular a discussão, não tanto sobre o dinheiro, mas sim sobre a importância da taxonomia [área responsável por descrever espécies e estudar as relações entre elas]", diz Antonio Carlos Marques, do Departamento de Zoologia da USP.
  Marques assina, junto com Fernando Carbayo, o artigo que descreve a conta na revista científica "Trends in Ecology and Evolution". Eles são especialistas na diversidade de espécies de cnidários (grupo das águas-vivas) e planárias (vermes achatados), respectivamente.
                                            Editoria de Arte/Folhapress

MILHÕES
  A dupla partiu das estimativas mais recentes sobre o total de espécies de bichos planeta afora, que propõem algo como 2 milhões de criaturas já batizadas com nome científico e 5 milhões de animais desconhecidos.
  "Existem vários jeitos de fazer essa estimativa", diz Marques. Um deles envolve isolar uma única árvore amazônica e fumigá-la com inseticida até que todos os bichos que a habitam desabem.
  O especialista faz a contagem de corpos e vê quantos pertencem a espécies conhecidas. Quando se multiplica o que sobra pelo número de espécies de árvores, chega-se ao possível número total de animais desconhecidos.
  "Outro caminho é olhar como avança a curva das descrições de espécies ao longo do tempo", explica Marques. "A curva é bastante heterogênea, mas a gente consegue usar ferramentas estatísticas para mostrar que a curva ainda está subindo, ou seja, o ritmo de descrições ainda está aumentando."
  O passo final da conta foi estimar os custos a partir do que um taxonomista brasileiro típico gasta ao longo da carreira. Em média, esses biólogos descrevem 25 espécies durante sua vida científica, com orçamento per capita de R$ 165 mil por ano. A média nacional é representativa porque o Brasil é um dos países mais ativos na pesquisa taxonômica atual.


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Comentário:

  A notícia acima destaca a enorme biodiversidade no planeta Terra. É incrível imaginar que existam cerca de 5 milhões de espécies de animais que ainda não conhecemos. E é importante lembrar que este número é apenas o de animais, sem contar plantas, fungos, protozoários e bactérias, o que, no mínimo, triplicaria essa quantidade. Nosso mundo é rico em vida, apesar de tudo, e mesmo que fenômenos como o aquecimento global, o efeito estufa e o desmatamento venham se agravando, a vida persiste. E forte. Algumas espécies estão sendo extintas, mas outras estão se adaptando. Há muito trabalho a ser feito pelos taxonomistas e muito dinheiro a ser investido. A nós, basta esperar os resultados e nos orgulhar de o Brasil ser um país importante nas pesquisas dessa área.

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