sábado, 7 de maio de 2011

GRANDES CIDADES NEM SEMPRE SÃO AS MAIS POLUENTES, DIZ ESTUDO

Postagem da semana entre os dias 1º e 7 de maio

Publicado em 06/05/2011 às 15;14
Por France Presse
Folha.com

  Grandes cidades como Nova York, Londres e Xangai emitem menos poluição per capita na atmosfera do que lugares como Denver e Roterdã, informa estudo divulgado na terça-feira.
Pesquisadores examinaram dados de cem cidades em 33 países, em busca de pistas sobre quais metrópoles seriam as maiores poluidoras e por que, de acordo com estudo publicado na revista especializada "Environment and Urbanization".
  Enquanto cidades do mundo todo foram apontadas como culpadas por cerca de 71% das emissões causadoras do efeito estufa, cidadãos urbanos que substituíram os carros por transporte público ajudaram a diminuir as emissões per capita em algumas cidades.
Divulgação
Emissões per capita da capital francesa são de 5,2 toneladas de carbono equivalente; menor que de Denver (EUA)
  Por exemplo, as emissões per capita da cidade de Denver, no oeste dos Estados Unidos, somam aproximadamente o dobro das emissões de Nova York, onde vivem 8 milhões de pessoas e na qual há um sistema de metrô amplamente utilizado.
  "Isso pode ser atribuído ao fato de a grande densidade demográfica de Nova York pedir um uso menor do automóvel para a locomoção", informa o estudo.
  As emissões per capita de Denver (21,5 toneladas de carbono equivalente) foram até mesmo superiores às de Xangai (11,2 toneladas), Paris (5,2) e Atenas (10,4).
  As cidades chinesas são consideradas separadamente, porque têm emissões médias bem superiores ao país como um todo. Pequim, por exemplo, emite 10,1 toneladas de carbono equivalente, enquanto a China emite 3,4 toneladas.
  "Isso reflete a grande dependência de combustíveis fósseis para a produção de eletricidade, uma base industrial significante em muitas cidades e uma população rural relativamente grande e pobre", informa o estudo.
  Com base nas emissões de gases causadores do efeito estufa pelo PIB, pesquisadores descobriram que "cidadãos de Tóquio são 5,6 vezes mais eficientes que os canadenses".
  A cidade de Roterdã, na Holanda, teve uma nota ruim por conta de seu porto e por ter uma indústria forte.
  "O fato de Roterdã ter um índice de emissão per capita de 29,8 toneladas de carbono equivalente versus 12,67 para a Holanda reflete o forte impacto do porto da cidade, que atrai indústrias, assim como no abastecimento de navios", afirma o estudo.
  "Esse índice é similar para as cidades com aeroportos muito movimentados e enfatiza a necessidade de ver as emissões das cidades de forma cautelosa."
  O estudo também aponta outras tendências, como as cidades de climas frios terem emissões maiores, e países pobres e de renda média terem emissões per capita inferiores aos países desenvolvidos.
  Quando os pesquisadores olharam as cidades asiáticas, latino-americanas e africanas, descobriram emissões menores por pessoa.
  "A maior parte das cidades na África, Ásia e América Latina tem emissões inferiores por pessoa. O desafio para elas é manter essas emissões baixas, apesar do crescimento de suas economias."
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Comentário:
  O interessante desta notícia é o confronto que ela faz com o senso comum. Muitos imaginam que as cidades grandes são as culpadas pelos problemas ambientais, e por isso, não se preocupam em mudar seus habitos, já que "um a mais não fará diferença". A pesquisa citada acima mostra o contrário. Nas grandes cidades dos países desenvolvidos, a conscientização dos habitantes está resultando em grandes mudanças. Na Europa, onde muitos utilizam bicicletas como meio de transporte, os carros estão sendo menos utilizados. Na França, o transporte público (metrô, RER, trem, ônibus) se mostra mais eficiente do que os carros. As pessoas que moram em cidades vizinhas a Paris e trabalham na capital preferem pegar um trem até o trabalho devido às facilidades que isso traz: menor custo, sem preocupações com estacionamento, mais rapidez no transporte, sem trânsito. Une o necessário (preservação ambiental) com o útil e agradável (melhor transporte para os cidadãos). E tudo isso faz bem para o meio ambiente. Mas, para funcionar, os meios de transporte públicos tem que ser bem organizados e funcionais. Isso não significa que depende apenas do governo. Cada um deve se concientizar também. Optar pela bicicleta ao invés do ônibus é uma evolução ainda maior. E o hemisfério Norte já provou que é uma opção viável.

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